
Uma vez… havia um pequeno pierrô, sabem, aqueles tristes palhacinhos, pretos e brancos, com uma lágrima pintada na cara. Aqueles que são sempre vitimas das partidas dos outros palhaços… Bom… o papel deste pierrô não diferia muito da generalidade. Não importa saber qual era o nome ou quem ele era, só interessa o facto de ele ser um pierrô.
Continuando… dia após dia, noite atrás noite, o pequeno pierrô ia para o palco fazer o que sabia como ninguém: choramingar, correr, ser um completo idiota nas monstruosas e cruéis mãos dos risonhos palhaços.
Dia após dia, ouvia o insano público a desfazer-se em risadas enquanto rastejava a suja imagem, a magoada alma, a vergonha da sua presença, com lágrimas reais a caírem-lhe no regaço dos seus inocentes olhos.
Noite após noite, os palhaços inquisidores, puxavam aos limites os seus trágicos e infames papéis.
Ninguém tinha piedade por aquele pobre pierrôzito, ninguém tinha consciência de que aquela coisa preta & branca choramingona fosse, de facto, uma pessoa sensível; ninguém o amava, todos se riam da sua miséria.
Até que, um dia (ou, melhor dizendo) uma noite, quando o tristonho pierrô se preparava para a sua “gloriosa” entrada em cena, susteve-se, observando na segurança das cortinas o público pronto para rebentar em risadas insanas consoante os sorridentes bobos lhe faziam a vida negra.
“Hmm… (pensou para com os seus botões) estou farto de ouvir este estúpido público a guinchar que nem um porcos…” e com o pensamento inacabado precipita-se para fora do circo…
“Nós chamamos então o nosso pequeno e adorável… Palhacinho Tristonho!!!” grita o palhaço mestre.
Mas ninguém aparece. “Palhacinho? Vá lá não sejas tímido. Vem e mostra ao nosso maravilhoso público o teu truque.” Não teve resposta. ”pierrô!!!!!!!!!!!!” desta vez o pequeno pierrô aparece, o mesmo inocente, triste, e miserável palhacinho com a lágrima pintada.
“És capaz de explicar onde raio é que estiveste?” então, com tímidos passos, o pierrô aproxima-se do microfone e com palavras hesitantes diz: “Tenho andado a ensaiar um truque novo.” Momentaneamente, os palhaços atacaram-no com olhares surpreendidos e reprovadores e o palhaço mestre sem saber o que ripostar gaguejou “Hmm… pois… então… meu pequenito poderás mostrar ao nosso público o teu novo truque?”. O pequeno palhacinho vira-se lentamente para o público e pela primeira vez homens, mulheres, crianças, idosos, … todos estavam a vê-lo. Não como um boneco mas sim como um palhaço.
“Nesse caso… vocês têm que formar uma linha”. Obedeceram-lhe com um sorriso sarcástico com se pensassem que aquele inútil não sabia o que fazia. Depois de se distribuírem por uma linha horizontal, o pequeno pierrô vira-se e, enfrentando o olhar intimidador do público, com uma agilidade sobre-humana tira uma arma de fogo das suas calças.
Com uma precisão de génio, dá uma volta de 180º, enfia uma bala de metal no crânio de cada um dos palhaços. Sem pestanejar nem mesmo tempo para pensar.
O tempo era infinito enquanto os palhaços caíam inanimados, o público em desespero e histeria gritava e fugia, o pierrô ria…
Hoje, esse mesmo pierrô está numa cela solitária a sorrir, rir, chorar de alegria, de prazer… quase um prazer insano.
8 comments:
Hmm, diz la, foste tu k escreveste ixo n?pois, deves ter sido lol eskece.hmm mt bem gostei.sera k t reves um pouco nessa historia?pa mim ha algum significado oculto :P continua a postar k eu vou cntinuar a ler.n sejas pregiçoso como eu k é raro postar.bj.ah e s fce a ti mudava as opcçoes pk so kem ta registado pode postar e ixo é mau,dps o resto do pexoal n pode
ou melhor, so kem ta registado pode comentar
gostei. parabéns. reflecte situações na sociedade, nas quais (pseudo-) vítimas se tornam carrascos (basta pensar no que se passou nalgumas escolas americanas e mesmo aqui, na Alemanha, os "amokläufer"). eu digo pseudo-vítimas, porque acredito que, desde que não nos roubem a nossa liberdade física, somos responsáveis pela nossa situação existencial. a felicidade está dentro de nós e tem muito pouco a ver com os outros. nao me vejas como moralista, é simplesmente o meu lema de vida.
gostei, pronto.
beijos e continua
gostei do desenho. o fim é muito trágico.
Cruel, irónico, mordaz, realista (embora não se queira acreditar nesta realidade)...o conto, claro!
Gostei muito.
In fact there are 2 endings I thing. One happy and one tragic...
For the tearjerker it was a happy ending, because he get out of his ``cage´´. For all the others it was a bad or tragic ending because people dead...
Thats my point of view ^^
Very nice, continue writing
Nightpiece
...
Seraphim,
The lost hosts awaken
To service till
In moonless gloom each lapses muted, dim,
Raised when she has and shaken
Her thurible.
And long and loud,
To night's nave upsoaring,
A starknell tolls
As the bleak incense surges, cloud on cloud,
Voidward from the adoring
Waste of souls.
James Joyce
Que Tearjerker tão profundo e tão idiota! Há pessoas assim, na verdade. São capazes de fazer o diagnóstico, mas não são capazes de se libertarem da doença. Falam muito alto, bracejam muito, assumem atitudes pseudo-corajosas, mas, no fim, só conseguem piorar o seu estado. Ao tentar libertar-se do seu jugo, o bobo infeliz reforçou as suas algemas e encarcerou-se definitivamente. Pierrot (?) é isto mesmo: irreal, com as mãos presas ao traje imenso, mãos que não podem agarrar o que desejam. O ideal tornado perfeição no próprio desejo.
Já Arlequim(que nada tem a ver com a história narrada), de fato de banho de 37 mil cores, esticado por cima da pele, mostrando bem o feitio do corpo, a inquietação dos nervos, a impaciência dos músculos, o frenesim animal, é a passagem autêntica do corpo por esta vida. [MO]
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