deVolta

estou devolta a este meu canto de "pequenos felizes fins". Desta vez e de agora em diante, até a vontade mudar, irei publicar "pequenos" apontamento da minha grande história que tenho vindo a desenvolver.
inicialmente estes apontamentos podem não fazer nexo algum devido a serem ja algo avançados na narrativa.
não me vou dar ao trabalho de esclarecer tudo em cada apontamento que publicar devido a estes estarem esclarecidos na minha história final, ou então estarem em posteriores publicações ou ainda por não querer/haver uma explicação.
espero enfim que gostem.

05 September, 2014

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Numa noite em breu, onde o escuro azul se dissolve com a cegueira negra, de mãos laçadas, o par de silhuetas corre com a dianteira a arrastar a traseira. Correm, a fugir ou atrás, apenas iluminados por uma periclitante aura, originada por débil luz, segura pela mão da vanguarda, traidora de meros passos dados para ocultar os passos passados.
Correm, enclausurados pela constante ameaça do sombrio oblívio, guiados apenas com réstias de cinzas formas que pairam por cima das suas cabeças. Réstias que, num dia seriam árvores e natureza viva, agora não mais eram do que fantasmagóricas aparições sem forma ou corpo, apenas sombra e volume, que tão depressa eram como não. Mas pouca importância tinham tais fenómenos para o par, tal era o empenho em manter-se unido e são. A atenção mantinha-se no arraigado caminho que se desenvolvia meros segundos de lhe pisarem o castanho solo, produzindo pequenas e poeirentas nuvens que pairavam atrás dos seus calcanhares antes de serem consumidas pelo negrume da noite. Esse mesmo negro, pressionava-os a correr, a acelerar o passo, tal o impulso, tal a exaltação de chegar ao fim. Cada vez mais instáveis, as silhuetas correm na tentativa de manter o passo nas traiçoeiras voltas do caminho que a aura revela.
Lentamente, em meros segundos, a dianteira sente a falta de algo, de uma presença, da forma que a sua mão segurava. Agora era apenas o nada que apanhava.
Abismada, confusa e perdida, acalma o passo para um trote com a sua luz a tilintar, no limiar, as escuras formas que ganham corpo em todo o seu redor. O receio cresce e a dúvida instala-se, chama-a para um preto vazio, surdo e mudo, mas nunca volta para trás. Perdida, mesmo que quisesse, não saberia onde fica o trás ou o frente, o norte ou o sul, o cima ou o baixo, mas nunca para o passo. A solidão incha com as dúvidas, cada vez mais, a pesarem e a sua aura devagarinho minga, mas algo desconhecido a faz avançar sem nunca olhar para trás. A periclitante luz, já sem brilho, por fim escurece e para lá disso... ninguém sabe. Só              .

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